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Como dito anteriormente no meu instagram, minhas matérias em sua maioria vão ser com uma “pegada mais social”, com uma preocupação em falar de moda na linguagem de quem não tem tanto dinheiro ou noção de que, pra se vestir bem não precisa usar as roupas mais caras.

Esse artigo se destina principalmente à toda galera que mora, viveu ou tem parentes que curtiram os bailes funks das décadas de 80 e 90 no Rio de Janeiro.

O funk que conhecemos hoje, vem de herança da cena Miami Bass nos Estados Unidos. Com influências também de Afrika Bambaata e Soulsonic Force. Muitos cantores fizeram fama, vindo de lá da gringa, podemos destacar nomes como Tony Garcia, Stevie B e Lil Suzy. Os Djs daqui traziam os discos e tocavam nos bailes do Rio de Janeiro. Surgiram grandes equipes como a CashBox, Furacão 2000, Kakarecão, Pipo’s e os primeiros percursores que foram os Djs Ademir Lemos e Big Boy com seus bailes realizados no Canecão.

Os frequentadores dos bailes funks, se reuniam em “galeras” ( os bailes inclusive se chamavam Bailes de Galera ). 
As Galeras vinham de várias partes da cidade e cidades vizinhas ( Chatuba de Mesquita, Campo Grande, Bangu, São Gonçalo, Guadalupe, Marechal etc ).
Nesse período os bailes além de passinhos, eram divididos entre o Corredor ,homens se dividiam em lados (A e B). E simplesmente saiam no soco em meio as batidas/montagens mais pesadas. A atividade era vista como um esporte praticamente. Ao saírem do baile, todos se falavam normalmente, e viam tal maneira de curtir o baile, como respeitosa.

Como todo início de movimento cultural, o Funk Carioca, trouxe sua estética pra pista, junto das músicas. E nessa estética, vieram marcas memoráveis também. Lembrando até um pouco, o início do Hip Hop em NY, era um movimento de periferia. De favela

Começando pelos pés:

Muitos tênis marcaram essa época, alguns de marcas que sobreviveram, e outros que já não mais. Os de maior prestígio (ou mais memoráveis) eram: Rebook (Classic e Aztrek), Nike (Street e Vortex), Rainha System, Le Cheval e All Star.

Muitos Jeans fizeram nome nesta época também. Marcas como Levis, e Gang para mulheres), foram cruciais. O jeans da Gang tinha uma comunicação totalmente alinhada à ideia de ressaltar as curvas da mulher, e principalmente sua bunda/bumbum.
Foi tema de música dos anos 2000, e era relativamente caro. A Levis já era uma marca com nome, lembro que meu pai teve muitas.

Cyclone e Bad Boy também faziam calças, mas creio que foram melhor sucedidas em shorts, bermudas e itens menores, como toucas.

Camisas:

Existiram muitas camisas de time marcantes. Como por exemplo as do botafogo com patrocínio da antiga marca de refrigerante 7UP, Vasco com a Kappa. TCK, Abraxas, After Life, Quebra Vento, Fido Dido, são apenas algumas das que marcaram essa fase também. Usava-se também bastantes camisas de botão.

Casacos Jaquetas, Macacões e Coletes

Assim como na “gringa”, os bombers de basquete, invadiram o Rio. Chicaco bulls, (inesquecível) Hornets, Lakers e Riders, eram alguns dos mais famosos entre a galera. Fazia-se muito uso também dos coletes jeans, e macacões. Não só no funk mas no meio do pagode existiam muitas bandas que usavam. Anderson do Grupo Molejo era um ícone nisso mas já é papo pra outro artigo haha!

Me orgulho bastante de ter visto um pouquinho disso tudo, com amigos, primos e tios. 
O crescimento da cultura Funk aqui no Rio, é algo magnífico, porém muito sofrido. Vivemos pelas “brechas” tendo que gritar pela cultura e seu espaço, sofremos com a marginalização e hipocrisia de uma parcela da população. Sofremos com o racismo diário de diversas maneiras, porém ainda me sinto otimista quanto ao futuro do Funk, pois ele vem quebrando barreiras de pouco em pouco.

Pra finalizar #LiberdadeRenanndaPenha ! A cultura vive !

Fotos retiradas da página do Facebook: Eu Curti Baile de Corredor e Google.

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