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Desde o começo de 2019, Kanye West deu início a um novo tipo de evento que chamou de Sunday Service. Ainda refletino os efeitos da recente internação para tratamento dos episódios promovidos por sua bipolaridade, o digamos “culto”, começou como uma forma de celebração espiritual e religiosa, até então ocorria dentro de um estúdio e contava com uma técnica de tratamento através de cores que Kanye descobriu para seu problema. O própio Kanye detalha isso na sua entrevista à David Latterman no episódio da segunda temporada de “My Next Guest Needs No Introduction”.

É claro que como tudo que Kanye West promove, esse evento não ficaria restrito a esse universo inicial. O Sunday Service foi tomando outras proporções e começou a ser realizado em locais abertos e contando com cada vez mais participantes. Estavam lá obviamente além de Kanye e sua família, o clã Kardashian e toda a equipe necessária para botar um evento desses de pé. 

O objetivo continuava o mesmo, louvar e celebrar a religião, mas sem a pregação tradicional que vemos nas igrejas e cultos religiosos no geral. A música é o instrumento principal. Não é de hoje de Kanye West se relaciona e demonstra sua religiosidade através da sua música. Vamos lembrar que de uma maneira nada modesta, chegou a se proclamar DEUS em “I’m God” do albúm YEEZUS, que por sua vez também é uma alusão direta a Jesus. Portanto podemos concluir que o Sunday Service é uma evolução dessa forma de relacionamento de Kanye com sua fé, agora em proporções, diga-mos, mainstream. Sim, porque logo veríamos o Sunday Service no festiva Coachella, não como um show, mas fazendo parte de um evento notadamente mainstream e ligado ao público jovem. 

Outras provas de que o evento tem essa cara de festival são as frequentes aparições de astros como Travis Scott, Kid Cudi, DMX, Brad Pitt, entre outros. É perceptível que o Sunday Service tem um formato de Show. São performances ensaiadas, roupas que depois viram “merch” (todas claro da linha Yeezy, bem como os famosos e desejados sneakers). É necessária uma equipe enorme para organizar tudo, desde a definição do local onde será realizado o culto , afinal ele é itinerante, até a montagem de toda sua estrutura. A cobertura que é feita para divulgação nas mídas sociais, escolha do setlist, figurino…ou seja, é um show sem tirar nem pôr.

Mas quando se pergunta o que é de fato o Sunday Service promovido por Kanye, as opiniões se dividem. Enquanto muitos defendem que se trata de um culto religioso, muitos outros defendem a ideia de que se trata de uma ação de marketing bem desenvolvida para divulgar todos os projetos de Kanye. Fato é que ambos objetivos são possiveis e mais do que isso, talvez sejam indissociáveis. 

Começou como uma forma de rendenção de um artista que enfrentou um “inferno” pessoal e que buscava uma forma de celebrar esse enfrentamento. Mas porque não fazer dessa nova fase um novo direcionamento para sua carreira e divulgar através dele seus novos projetos? Casamento perfeito.

E é isso que Kanye West vem fazendo. Prova disso são as recentes divulgações da criação de uma incubadora para suporte a novos talentos da moda, a construção de uma “cidade” para abrigar pessoas sem teto, uma lista postada “sem querer” por Kim, mostrando o que seriam as músicas do próximo álbum. Tudo minuciosamente planejado, não duvidem.

Mas isso é ruim? Desabona de alguma forma o que o Sunday Service promove? Não. De nenhuma maneira essas ações ferem o propósito principal do evento, mas é claro que ele serve como marketing natural para esses outros planos. 

Kanye segue com seu Sunday Service, servindo aos seus prósitos e a sua fé. Visionário como é, talvez nós só nos daremos conta dos seus reais objetivos daqui a algum tempo. Que venham os próximos capítulos.

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