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De Brando a Morrissey. O nascimento de um ícone do streetwear.

Como tudo começou

No começo a T-shirt nem tinha esse nome. Em sua criação as camisetas eram roupas de baixo, sem nenhuma finalidade de estética ou de moda. Hoje talvez ela seja a principal peça de roupa que todos nós temos em nossos armários.

Na segunda guerra, os militares recebiam camisetas com seus nomes, patentes, profissões e batalhões. Depois da guerra era comum ver os ex-combatentes e veteranos usando essas camisetas no dia a dia. Começava a nascer o cenceito da Graphic Tee.

Capa da revista LIFE mostrava as primeiras Graphic Tees.

Pouco tempo depois, já em 1950 um jovem Marlon Brando iria popularizar a T-shirt no filme Um bonde chamado Desejo e daí para frente a peça seria item obrigatório entre a moda jovem principalmente. Outro que colaborou para o sucesso da camiseta foi o reckless James Dean no clássico Juventude Transviada.

Uma coisa somada a outra, ou seja, a camiseta popularizada e a mensagem gráfica evoluindo para a publicidade de marcas, ideias e personagens, estava montado o cenário perfeito para o nacimento de um ícone da moda. O mercado começou a perceber que era um produto barato de se produzir e tinha uma boa margem de lucro. Ainda na década de 1960, as inovações no campo da impressão, incluindo o nascimento da serigrafia, ajudariam a transformar a indústria de camisetas no que é hoje .

Agradeça ao Punk

A partir da década de 70 as camisetas conheceram mais um fator catapultante em sua existência: o movimento Punk. A época era propensa para estampar os logotipos das bandas e suas mensagens de protesto. Uma já célebre estilista, Vivienne Westwood, foi a responsável pela moda punk, criando algumas das mais clássicas estampas que conhecemos desde então.

A cultura do protesto era tão forte, principalmente contra a Guerra do Vietnã, que o The New York Times cravou que a graphic tee era “o meio para a mensagem”.

Nesse momento a camiseta já não era mais um item de vestuário. Tinha se tornado uma espécie de bandeira da juventude e daqueles que queriam propagar suas mensagens. É claro que o mundo da moda também ia embarcar nesse sucesso. Várias marcas renomandas começaram a incluir o item em suas coleções.

A partir do movimento punk, o mundo da música abraçou a moda das graphic tees. Bandas de Rock, artistas pop, inundavam seus shows com merch para promoverem seus produtos e marcas. Quem aí não tem uma clássica camiseta dos Stones com a língua e os lábios criados por John Pasche ou uma camiseta com o logo dos Ramones de Arturo Vega!?

Camiseta de Banda. Todos tem uma.

Anos 80 e 90

O céu era o limite. Em poucos anos tudo, absolutamente tudo, era estampado nas camisetas. Desde propagandas a logo de maisons famosas estavam impressas em milhares de camisetas espalhadas ao redor do mundo.

Nos anos 80 a moda eram estampas espalhafatosas e coloridas, até mesmo ocupando toda a face principal das camisetas. Marcas como Guess ?, Nike, Fila, Adidas, Calvin Klein e dezenas de outros lucraram com a as big logos.

Pode falar que essa moda já te pegou!

Nos anos 90 veio o movimento grunge e as estampas ficaram mais simples. Camisetas de bandas como o Nirvana, que fazia um sucesso enorme nessa época,  se tornaram ainda mais icônicas após a morte de Kurt Cobain.

Smells Like Teen Spirit. Anos 90, camiseta do Nirvana era obrigatória.

Supreme Box Logo

Já no final dos anos 90 e início do novo milênio, as graphic tees deram uma caída. Já eram muitos anos de sucesso e a coisa toda tava sem sentido. Era preciso um descanso. Mas uma marca que nasceu no meio dos anos 90 iria mudar tudo novamente no final da primeira década dos anos 2000.

Em 1994 James Jebbia abria um loja independente de skate, localizada na Lafayette Street. Nascia a Supreme. Inicalmente usada pela galera underground e skatistas, a marca foi evoluindo ao londo dos 26 anos, deixando de ser uma marca cult e para ganhar o mainstream. E qual é o item mais famoso da marca de NY? A clássica Box Logo Tee, que nada mais é do que uma graphic tee.

Quem poderia imaginar que uma camiseta tão simples viraria um item de luxo?

O design simples do logotipo Supreme na fonte Futura é um dos mais instantaneamente reconhecíveis do mundo e hoje é um símbolo de status.

Ao longo dos anos a marca se aliou grandes nomes do mercado, sempre produzindo peças colaborativas que aos poucos foram ganhando destaque. A Box Logo da Supreme se tornou um cartão de visita, um tipo de uniforme streetwear. 

Nessa pegada diversas outras marcas voltaram sua atenção para as graphic tees. A japonesa BAPE é uma das que mais fizeram sucesso, assim como Stussy, Diamond, Obey, Ecko e mil outras. Atualmente marcas como Off White, Vetements, Heron Preston, Comme des Garçons, Fear of God, Gucci, voltaram a elevar a moda e o desejo pelas graphic tees.

Virgil Abloh, inspirado na Supreme, criou a Off White e hoje dá as cartas na LV.

A camiseta é um item democrático e que todos gostam. A moda pode moldar as tendências do momento, ditando o que é legal, mas no fundo a essência da graphic tee é uma só: personalidade.

Imagine a mundo sem as Graphic Tees? No Way não é John.
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