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Se você é jovem, curte moda, e esteve bem conectado a internet no ano de 2018 você certamente vai conhecer aquele vídeo (que acabou virando meme) onde vários jovens aparecem vestindo roupas um tanto quanto caras e falando de modo aberto o valor de cada item. Lembrou?

Pois é, o vídeo, embora tenha gerado um certo alvoroço midiático, nada mais é do que um espelho do Streetwear e da cultura Hype aqui no Brasil, tratado de forma totalmente descontextualizada.

Pra entender um pouco mais sobre essa cultura, vamos dar uma pausa nesse assunto e aprofundar um pouco mais sobre o streetwear e a cultura hype.

O streetwear nasceu no estilo das ruas, entre as décadas de 70 e 80 e acabou se globalizando na década de 90 com o surgimento de marcas como Stussy e Carhartt, que carregavam seu estilo no desenvolvimento de t-shirts e roupas inspiradas no sportwear, na cultura do hip hop, do punk, do skate, do surf e até mesmo, na moda de rua dos japoneses. Uma mistura do lifestyle das ruas com a sensação de exclusividade das marcas de luxo.

Cena do filme La Haine dos anos 90

Foto de 1993 tirada do livro Carharrt WIP archives – Illegal, Redman, Treach (Naughty by Nature)

Junto ao cenário do streetwear nasceu a cultura hype, com uma geração de obcecados pelo próximo grande e exclusivo lançamento das marcas. O grande alvo se tornou marcas como a Supreme, onde seu foco (e estratégia de marketing) gira em torno da produção limitada de produtos gerando um boom enorme a cada novo drop de coleção. O alvoroço é tão grande a cada produto lançado que movimenta um mercado de resellers que só cresce a cada ano.

Fila do drop da coleção SS 2016 em Nova York

Tendo dito isso podemos voltar ao nosso ponto de partida. O Hype no Brasil se tornou quase uma seita, onde jovens, fazem tudo para saber “Como faz para entrar no hype? “ ou qual a peça essencial para “Começar no Hype” e imergir nessa cultura. Deixou de ser vestir para se expressar, para ser vestir para pertencer a um “seleto” grupo.

Infelizmente foi marginalizado esse novo contexto no qual a cena se encontra, tornando aos olhos dos recentemente deslumbrados pela cultura um modelo de Ceita e não um movimento fashion.

A maioria das pessoas começaram a interpretar a cena do streetwear no Brasil como uma vitrine da ostentação e do consumismo exacerbado de jovens e não pararam para ver que por trás disso tudo existe um cenário da indústria fashion onde se respira moda, design, lifestyle e business.

No background existe um movimento empreendedor que estimula os jovens desde cedo a construir o seu próprio negócio com a criação de lojas exclusivas para venda dos produtos “Hype”. Dando origem a eventos e feiras de troca, venda e compra de itens exclusivos.

O cenário da cultura streetwear vai muito além do que vestir roupas caras que custam muito mais que o salário mínimo do trabalhador brasileiro.

Muitos esquecem que a moda é feita de estudo, de referência, de personalidade e essência. É deixado de lado um dos fatores mais importantes da moda, a forma de se expressar, o modo como você quer que o mundo te veja, e principalmente o espelho da sua personalidade.

Espero que as pessoas que estão começando agora nessa cena, enxerguem no hype uma oportunidade de gerar conhecimento de moda e empreender, deixando de lado o peso do valor das roupas que você veste e botando como  regra número um o quão bem você se sente com aquilo que você veste e o quanto isso espelha quem você é.

Ser hype é ser você mesmo independente do valor ou da marca que você escolheu vestir!

Giuli Ciuffo

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