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Muita gente da nova geração não sabe, mas o streetwear tem suas origens no underground. Um universo paralelo dos entusiastas. De suas origens até os dias de hoje, onde as grandes marcas de luxo se renderam ao estilo, muita coisa mudou. O público, principalmente. A popularidade cresceu, assim como os preços das peças mais disputadas nas quilométricas filas em calçadas de Nova York e Los Angeles. Claro, os olhos de todas as marcas se voltaram para a ascendência exponencial do estilo. E isso pode ser o começo do fim do que conhecemos como hype.

Os padrões de consumo mudaram e se adequaram a uma geração completamente diferente nos últimos 10 anos. Aliás, até antes disso Kanye West já falava de marcas de luxo com uma naturalidade inédita, como se fossem membros de sua família. Uma nova onda de influência atingiu o estilo das ruas, principalmente de artistas que tratavam a moda como mais uma das muitas afirmações de status e dinheiro.

Não que seja um fenômeno novo. A moda sempre foi, historicamente, uma maneira de se afirmar sobre uma outra classe social. As roupas diferenciavam o faraó dos escravos. Diferenciavam o imperador de seus súditos. Diferenciam generais de soldados. Então, não faz sentido “descobrir” que o hype cria diferenças e acentua preconceitos e desigualdades no streetwear. Mas há mais do que os olhos podem ver.

Em algum dessa intersecção entre a faminta indústria milionária e o streetwear surge o hype. O streetwear começa a ser uma válvula de marcas famosas para tentar adequar a nova geração aos seus padrões de produção. Aliadas à forte influência dos artistas, até mesmo as marcas da alta costura começam a prestar atenção às ruas. Vuitton, Gucci, Balmain e Margiela são apenas alguns exemplos de super-marcas que fincaram seus pés na agora cultura de luxo do streetwear.

Preços cada vez mais altos, itens cada vez mais exclusivos. Drops que “quebram” a internet e formam filas inacreditáveis aos olhos de quem acompanhava o estilo em seus primórdios. A escalada da moda foi verticalmente lucrativa, mas trouxe sinais de esgotamento. Sem mesmo entrar no mérito do aumento da popularidade dos bazares e brechós, o mercado de resell pode ter chegado em um ápice financeiro que resulta no estouro de uma bolha.

Obviamente, existe um limite de preço pelo qual se cobra por alguma coisa. Quanto mais exclusivo o item, mais caro, certo? Mas e quando o mercado está extremamente aquecido, e com números cada vez maiores de peças exclusivas? Virtualmente, devido ao “excesso de exclusividade”, a demanda por esses itens diminui, mas acompanhada justamente de um aumento da oferta. Isso resulta na diminuição dos preços. O próprio preço inflacionado de determinadas peças dá um sinal preocupante de que podemos estar vivendo o começo do fim do hype.

Tudo ainda é muito inconclusivo, mas é uma previsão possível. E o streetwear sobreviverá a tudo isso? Creio que sim. É um estilo, uma expressão que precede o hype e deve continuar mesmo após a onda de pânico coletivo que causou. Uma coisa é fato: as grandes fases da moda, extremamente populares, são passageiras. Em um mundo que muda cada vez mais rápido, pode ser que estejamos perto de olhar para um kit da Supreme e rir, dizendo: “É sério que as pessoas se vestiam assim?”.

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