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As redes sociais nunca foram tão acessadas e demandadas como nos últimos meses de 2020. A Pandemia do Covid-19 levou todos forçosamente para dentro de casa e para dentro das redes, numa espécie prisão física e mental, que tinha nas redes sociais uma válvula de escape para interagir um pouco com outras pessoas.

O distanciamento social compulsório é uma coisa nova para essa geração. Contudo o distanciamento físico não. Há muito já praticamos esse distanciamento, até mesmo com as pessoas que estão ao nosso lado, literalmente. 

Não é incomum vermos casais sentados um ao lado do outro, cada um segurando seu celular, imersos num mundo paralelo, dividindo sua atenção com outras pessoas, na maioria desconhecidas (mas que a rede social nos força a achar que somos próximos). Isso ocorre já a muito tempo. Pessoas que vão a shows e eventos e que estão mais preocupadas em mostrar tudo para quem não está no mesmo lugar, do que curtir com quem está dividindo a experiência naquele momento. O melhor não é aproveitar a viagem e sim mostrar o quão incrível ela parece ser. 

Só que hoje, o que era uma opção, por muitas vezes imperceptível, mas voluntária, se tornou uma necessidade. Temos que ficar longe uns dos outros de fato.

Nessa equação é que o papel das redes sociais pode ser determinante para ajudar ou piorar a situação. A culpa não é delas. A escolha das pessoas é que promove e desencadeia cada efeito.

Se por um lado ela nos aproxima de quem gostariamos de estar perto (gostaríamos mesmo ou só porque não podemos é que gostaríamos?!) , por outro ela nos distancia ainda mais da realidade. 

Criadas com o intuito de ser fonte de relações, troca de informações, experiências e afins, hoje as redes sociais tem muitas outras funções e sua utilização requer do usuário muito filtro, mas muito filtro mesmo! Pessoal e emocional para saber que o que ali está são fragmentos da vida real, feitas para parecerem sempre ideais, perfeitas, completas.

Imagine hoje uma pessoa que está a mais de 60 dias em casa, tentando se adaptar a nova rotina, que apesar de ser a mesma TODOS os dias, parece que reflete a cada dia de maneira diferente em nós, olhando para a “verdade” das redes sociais. Isso mexe com todos nós sem dúvida.

Por outro lado, a conexão nos dá a oportunidade de estar mais próximos das pessoas que gostamos. Lives divertidas e criativas  nos fazem sentir um alento nesse momento tão complicado. Mas não percamos a vontade de estar pertos uns dos outros, acho que é a principal mensagem que 2020 está nos mandando.

O mundo já está mudando, nossas relações já estão mudando. As redes sociais também mudarão. Vão crescer acredito. Mas tem que se tornar mais próximas da realidade da vida. Muitos perfis já fazem isso, com muita coragem. Temos que parar de nos iludir com um mundo perfeito. Esse momento está nos dando a oportunidade de rever nossa forma de “viver” no mundo virtual. Entre uma wattsapp e outro, entre um like e um meme, vamos evoluindo. Assim esperamos.

No final de 2020, será que vamos enxergá-lo como o ano que não aconteceu ou aquele que iniciou uma nova era? 

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