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Quem está na cena sneakerhead há mais de dois anos sabe que, por mais que a revenda seja um movimento existente desde o início, esse tipo de atividade saiu de controle nos últimos meses. Jovens, cada vez mais novos, entram de cabeça no universo do resell com a esperança de conquistar a independência financeira antes mesmo dos 18 anos.

Benjamin Kapelushnik. Desde os 16 anos movimenta uma fortuna em sneakers.

Amigos, não vou me aprofundar em política muito menos em economia, mas, sabemos que em um país em desenvolvimento, como o Brasil, a independência financeira precoce está limitada à aqueles que possuem uma herança para ganhar. Ninguém aposta suas fichas em uma empreitada em que não se faz ideia do retorno (por mais que o potencial seja bom). Além disso, ninguém entra em um negócio de cabeça sem estar disposto a trabalhar pelo resultado.

Com a evolução da internet, acompanhamos a entrada de novos “players” no mercado de revenda quase que diariamente. O problema é que nem todos estão dispostos a sair da internet para conquistar seu sucesso. Hoje, o mais comum de se ver por aí são lojas de jovens que conquistam seus pares na internet, com a ajuda de um bot, e colocam seus pares à venda em uma loja no Instagram que provavelmente vai levar o termo “Hype” no nome.

Grade completa! Jovens usam recursos como bot para conseguir seus pares na internet.

Eu já não vou mais entrar no mérito de que diversos colecionadores ficam sem a oportunidade de conquistar seus pares devido ao uso desregulado de artifícios como os bots. Isso é chover no molhado. Esse texto de hoje é pra falar com você, jovem que pretende empreender na carreira de revender produtos exclusivos. Vou passar por alguns pontos aqui que espero que te façam refletir sobre o mercado que eu, e vários outros sneakerheads, já conhecemos tão bem.

Antes de tudo, saiba que ao iniciar esse movimento você vai ser odiado. Se o cidadão que compra ingressos pra revender pelo dobro é alvo constante de críticas e xingamentos, com você não vai ser diferente. É claro que isso não impede de que exista amizade entre reseller e sneakerhead. Eu mesmo tenho amigos revedendores que já me ajudaram a conseguir pares que não existem mais no Brasil ou até mesmo nunca vieram para cá.

Aliás, existe uma grande diferença entre esses dois trabalhos. O reseller é um mal necessário quando pensamos em trazer produtos de fora do Brasil, que ainda não chegam em nosso mercado imaturo. Porém, quando falamos naqueles que varrem o estoque todo de uma loja para revender ao dobro do preço, não existe como defender esse tipo de atividade.

Faça lucros, não dívidas!

Quando você entra para o mundo do empreendedorismo, saiba até onde pode investor antes de torrar rios de dinheiro em pares que você nem sabe se irão revender ou não. E eu digo isso não porque quero ajudar os revendedores, mas, porque não quero ver jovens que ainda estão na escola afundando a si mesmo e até seus pais em dívidas que correm o grande risco de não serem pagas! E se você, pai, tem um filho que quer trabalhar na revenda, não incentive! Não dê mais dinheiro do que ele precisa apenas para alimentar essa função que está “hypada” no momento. A vida de revendedor não se trata apenas de comprar um par pela internet e revender pelo dobro do preço do dia pra noite. Sneakers não são bitcoins!

Os revendedores que estão no mercado a um bom tempo são aqueles que estudaram, dormiram em filas e, muitas das vezes, também são colecionadores! Eles sabem do que o público gosta e não saem comprando qualquer modelo que é lançado. É por isso que vemos, cada vez mais, modelos totalmente desconhecidos esgotarem nas prateleiras das lojas e, semanas depois, serem revendidos por valor de retail por vendedores inexperientes pelas lojas do Instagram.

Lembre-se: isso não é um guia nem um apoio ao resell. O que me preocupa é ver os jovens tomando como exemplo de carreira o que na verdade é um grande risco à sua vida financeira. Saiba onde está se enfiando, entenda como os colecionadores e compradores casuais se comportam. Aí sim você está preparado para começar a fazer investimentos (moderados) em modelos que podem trazer uma boa saúde financeira para você.

Quanto a tomar dinheiro emprestado dos pais: pense no risco duplo que você está correndo! Se você quebra, seu pai quebra junto! Procure formas de ganhar dinheiro de forma alternativa. Pense sempre no seu future e não no “hype” de ser revendedor!

Se ainda assim, você insistir em revender, te desejo boa sorte e que tenha costas quentes pra aguentar a revolta com sua atividade.

Quer trocar uma ideia? Segue lá!


@luizmariano

https://www.instagram.com/snkrheadbr/?hl=pt-br

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