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Século XXI, 2020, um ano  de diversos impactos pra todos nós e ainda vemos repercurtir com muita força, assuntos relacionados ao padrão estético. E toda vez que eu vejo questões  relacionadas à isso fico muito frustrada, por ainda ver a dimensão que tem na sociedade, ter um corpo “normal” 

Na verdade eu não acho nem correto nomearmos e colocarmos em caixinhas os nossos corpos. A caixinha do corpo “normal, do corpo “ideal” e a do não. Desde quando criamos todos esses padrões e regras? Todos os corpos são normais e todos merecem ser vistos e tratados da mesma maneira. Cada corpo único. Não somos iguais a ninguém e nem devemos ser. 

Isso é o que deveria ser padrão: assumir quem somos e ser incentivados a amar nossos corpos da forma que eles são.

Devemos amar nossos corpos da forma que eles são.

Essa semana vi uma reportagem onde Billie Eilish foi vítima de ”body shaming” novamente, simplesmente por ser fotografada andando na rua com roupa “justa” ao corpo. Então as pessoas tomaram a liberdade de falar o que querem sobre o que viram ali, onde a acusaram de aparentar ter um corpo gordo de uma mãe de 35 anos que gosta de beber vinho

Eu me pergunto a onde nós estamos indo com esses comentários? Como alguém se acha livre pra invadir o corpo de outra pessoa e o rotular? Além do que, quem falou que uma mãe aos seus 35 não pode se sentir linda andar na rua de roupa justa e apreciar um vinho?  

É triste ver como, principalmente nós mulheres, somos pressionadas a aparentar o corpo perfeito, a estar sempre em impecáveis condições e pornograficamente sexies pra cultura machista. Não a nada mais repugnante na minha opinião do que isso, do que essa invasão constante ao corpo feminino e a liberdade que esse sistema ensinou que somos sinônimo de objetificação masculina.

Billie Eilish e criticada pelo seu corpo. Até quando seremos reféns de padrões?

Realmente acho que os padrões estéticos foram criados por um sistema que lucra em cima da nossa insegurança. A partir do momento que nos tornamos suficientes e livres dessas amarras esse sistema falha. Acho que não há nenhum benefício em viver preso a algo que não existe, que é desumano e insensível com todos nós. 

Qualquer pessoa pode ser vítima de pressões estéticas. Umas mais outras menos, mas é algo que todos sentimos ou já nos preocupamos em algum momento. Acredito que devemos romper o quanto antes com esses movimentos de padronização e o aprendermos a nos mostrar sem filtros, sem julgamentos, a começar por nós mesmos e olharmos os outros também muito além de seus corpos.  

Se não somos capazes de aceitar a forma de alguém, não somos capazes de enxergar a essência de ninguém. Limpe seus olhos de tudo que te ensinaram “ser bonito” e então se depare com um mundo de muitas belezas além do que você imagina.  

A perfeição não existe quando padronizada. A perfeição só existe quando é direito de todos, afinal todos somos perfeitos dentro da nossa forma: bela e única

Já nos machucamos por décadas querendo aparentar ser algo que não somos, olhando somente pra onde nos direcionaram a olhar. E na minha opinião não podemos falar sobre ser “Hype” quando só queremos que todos sejam iguais. Há pessoas que estão querendo se transformar em filtros do Instagram. Tudo o que estamos sugerindo com a pressão estética que criamos é uma falta de personalidade. Aonde queremos chegar com isso tudo?  

Deixamos de ser humanos, de ter detalhes em nós que contam a nossa história, tudo pra ser algo somente aceitável e que tem de mostrar uma imagem perfeita, consequentemente sem vida. 

Ser saudável e estar de bem consigo mesmos é algo muito mais profundo que o nosso corpo. A pandemia veio pra nos mostrar mais do que qualquer coisa, que algo que nem se quer vemos, pode ser maior que todos nós juntos. O que eu concluo com tudo isso é que não somos merecedores do sofrimento que nós mesmos ditamos ao criar um padrão e como se só quem o alcançasse fosse merecedor da felicidade. 

Todos merecemos ser felizes. Hoje meu maior desejo é que todos amem aos outros e a si mesmo da forma como são, permitindo assim criar conexões que vão muito além do que podemos ver.

...é preciso força pra sonhar e perceber Que a estrada vai além do que se vê.
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